quarta-feira, 19 de abril de 2017

Sobre a Cultura da nossa Cidade!!!

Me deem licença que eu preciso falar!!
Preciso falar sobre estes nós na garganta.
São tantas coisas acontecendo, tantos burburinhos...
E tantos retrocessos diante de poucos avanços e os que foram conquistados
agora estão se desmanchando como brumas em meio a tantos nevoeiros e
nebulosidade.

Não são apenas os de agora, embora que neste momento o massacre seja
maior, mas venho acompanhando desde muito tempo... De muito cedo, ainda
do tempo em que o Pé Sujo era meu berço cultural (literalmente falando).
Fico sinceramente dilacerada com o cenário político do mundo.
Mas hoje preciso falar das catástrofes que estão mais perto, como aquela que
expressa o cenário da minha cidade e, mais especificamente com a cultura
local.

Acho importante citar que nunca tive cargos ou me coloquei em posição servil
à qualquer tipo de bajulação que pudesse ofuscar meu real interesse pela
cultura da cidade. Aprendi com meu pai e seus amigos e que hoje são meus
amigos a acreditar no potencial criativo deste meu chão.

Começo falando deste último ano de 2016, onde tivemos um “divisor de
águas”, importantíssimo em relação aos anos anteriores, pois avançou na
compreensão de que a secretaria de cultura é o lugar que se faz políticas
públicas culturais e que tem como foco a defesa do patrimônio material e
imaterial de uma sociedade.

É por isso que tomo como primeiro exemplo um espaço PÚBLICO, que até
recentemente teve vida e incentivava a sociedade a ocupar o Espaço Público -
porque ele é público e não moeda dos interesses privados -, a Biblioteca
Leonel de Moura Brizola. O monólito sempre foi algo estranho à cidade, que
sempre perguntou “o que era aquele caixote suspenso?”, mas que havia ganho
a identidade de biblioteca e virou um verdadeiro polo cultural, pois os jovens,
as redes e os ativistas culturais ocuparam ali, manhã, tarde, noite e, por vezes,
de madrugada, diversos movimentos construíam sua identidade com a cidade
ali. O espaço público era aberto e a sociedade ocupava com consciência,
respeito, alegria e forjava o capital social de sua cidade.
Mas parece que querem transformar o que fora uma viva biblioteca em um
monólito - mais uma vez.

Eu me senti ferida quando fui proibida - por ordens superiores, como
sentenciou o porteiro do prédio, muito sem graça por sinal - de entrar em um
espaço no qual eu via como o espaço da cultura na cidade. Para não
cometermos algum tipo de injustiça, a proibição de acesso ao espaço público
deu-se em um evento debaixo do caixote suspenso em um sábado após o
carnaval. Estava com a minha família e muitos amigos, na sua maioria, pessoas
engajadas em atividades culturais e com longo histórico de defesa pela cultura
local, mas o fato é que não pude levar meu filho, uma criança de três anos, no
banheiro da biblioteca. Fiquei surpresa, pois já desenvolvi tantos projetos ali e
tenho certeza que mais contribui, estive presente, do que os bedéis e aspones
que querem lograr da ordem no local ao não permitir que aquele espaço
público vire uma espécie de “mijódromo”.

O que relato pode parecer ser uma simples questão de filosofia de gestão ou
ainda, a fria conveniência da administração, mas como considero a cultura uma
expressão viva e os espaços públicos como um lugar de incentivo à cidadania,
a exemplos de outras cidades nas quais as bibliotecas públicas ficam abertas de
madrugada e nos finais de semana, a biblioteca da minha cidade poderia seguir
o mesmo caminho, mas, o que parece a nova/velha gestão não compartilha da
mesma concepção sobre a formação da cidadania. Perderam a oportunidade de
colocar um banheiro químico na praça e de fazer uma série de oficinas infantis
com a temática do carnaval trazendo as crianças para dentro da biblioteca.
Realmente não gosto de falar de latrina, mas...

Eu vim falar da luta, da peregrinação de muitas pessoas que lutaram para
existir uma secretaria de cultura, por conselheiros que sempre estiveram na luta
e pelo esforço de colocar a política cultural da cidade em concordância mínima
com a política nacional de cultura e do provável retrocesso em relação à
transparência dos recursos da pasta, da duvidosa lei aprovada na câmara dos
vereadores, levados a cabo por pessoas que nunca estiveram nos fóruns, nos
seminários, nas plenárias, nos debates e eleições das diversas composições do
conselho. Eu vim falar de uma certa ética que tem desaparecido das ações do
poder público, como quando em uma reunião fechasse um acordo – ainda que
verbal -, um compromisso de levar a lei apresentada pela secretaria para uma
audiência pública. Ficou feio, muito feio, a lei ser votada sem a participação
dos conselheiros, dos movimentos sociais, dos coletivos e redes de fazedores.
Virou um acordo fechado.

Como falei antes, o cansaço não é só com o que está aí, mas com o outro que
se foi, o outro e outro, que acaba sendo o mesmo.

O cansaço é destas pessoas que se brotam com seus interesses, empresas,
conchavos, contratos e que nunca acompanharam de perto, nem mesmo do
muro, processos e conquistas da cultura da nossa cidade.

Falo da falta de respeito das arvores plantadas no espaço cultural da praça
Roberto Silveira.

Falo do corte de árvores absurdo, da matança do coração verde do centro da
cidade para construção de um shopping.

Falo do descaso com uma escola que ali está e sua importância como
patrimônio histórico e cultural da cidade.

Das compensações nunca realizadas com a derrubada de prédios históricos e
espaços culturais.

Do dia 20 de março passar quase despercebido este ano...

Da rasteira que o conselho de cultura levou junto com suas conquistas de 2016.

Do abandono do Teatro Procópio Ferreira, cuja violência que estão fazendo
com aquele histórico espaço da cultura de Caxias é cruel, machuca e dói na
memória da alma, é caso para Ministério Público.

Falo da apreensão que tenho das futuras parcerias público-privadas e do que
possivelmente pode ocorrer com o Teatro Armando Mello...

Eu fico muito triste quando as escolhas e nomeações políticas penalizam a
cidade ao colocar pessoas que não tem o mínimo conhecimento sobre a pasta
que assumem ou importam estrangeiros para “tocar” a cultura local. Ninguém
aguenta mais ensinar o “beabá” e fazer um painel didático e histórico sobre
movimentos, pessoas, coletivos, lutas e desafios da cultura local.

E muito fácil encontrar a pedra já lapidada e esquecer quem garimpou antes.

Pior, muito pior é quando afirmam que nunca houve nada, que os espaços e
aparelhos nunca funcionaram. Importante abandonar a presunção de achar que
se está inventando a roda e perder a oportunidade de agregar, articular e fazê-la
girar com a participação de muitos, sobretudo, de quem vive pelas artes.

Nós temos uma história, nós temos “personagens” que precisam ser lembrados,
não só por sua importância cultural, mas por suas ações, pensamentos e
ideologias quando o fazer cultural era muito mais difícil que os dias de hoje.

Quantos Barbozas, Joões, Chiquinhos, Arakens, Jorges, Acacios, precisarão
existir para fazer a diferença em nossa cidade e dar continuidade aos projetos
semeados ao longo de gerações?

Há uma juventude pulsante na cidade. Cheia de ideias, disposição, produzindo
muito, resgatando uma história viva, ocupando as escolas, praças e ruas sem
medo, e isso me traz esperança.

Quantos governos entrarão e farão questão de não dar continuidade aos
projetos bons feitos anteriormente?

Agora o que mais tem me incomodado é a larga utilização das redes sociais
como lugar de depreciação e desrespeito ao outro. Sei que às vezes posso
parecer inconveniente porque falo na cara e olhando nos olhos o que penso e
acredito. Desejo ver uma igual atitude nos espaços públicos. Administradores
públicos devem tratar os problemas públicos em espaços públicos.

De forma alguma desejo ser arrogante e cometer o erro de não levar em
consideração que todas as pessoas tem a sua história e não é porque não
participaram de algum dos movimentos realizados ou mesmo estiveram
envolvidas com a política cultural da cidade que devem ser desmerecidas ou
desprestigiadas como agentes culturais. A cultura expressa-se por diversas
formas, mas é preciso diálogo.

Transparência.

Paciência.

E muita fé.

Mas enquanto isso, a gente se encontra na festa do trabalhador coma Valeska

Popuzuda.

Teatro Armando Melo: Inaugurado em 1967, foi o primeiro teatro público da cidade.

terça-feira, 7 de junho de 2016

A Voz da Alma




O dom do cantor
Já se fala em várias canções
Mas o dom de chegar até a alma
Até a nossa alma
Poucos têm ...
Uns podem interpretar
Outros máquinas
Outros com a "perfeição de um cd"
Outros "Elis"
Mas a magia
O sentir
O chorar
O sorrir
...
São poucos
O público a se identificar 
No sofrimento, 
Na dor
Na alegria
No prazer
Mas são raros aqueles seres
Que são encantados
Conseguir num todo
Atingir todos os sentimentos
Independente do estado do espírito ...
Há canções e canções
Único
Ímpar
Singular
Canta e encanta
Não tem uma definição
A platéia paralisa
Parece fazer uma reflexão...
A voz
"Bendita voz que vem da alma de alguém que canta "
A cada nota do instrumento companheiro
No corpo
No olhar
Nos pés
Nas palmas
Na alma
...
Agora você começa a cantar...
Paraliso...


Inspirada na canção "Bendita Voz do Sentimento" de Eudes Fraga

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Estoy Solo Solo

De volta
Revolta
De dentro
Pelo verso
Do averso
O que inspira
O que transborda
O sem rumo
Sem o previsto
Do futuro
O que se sente
Sem destino
Sem dose
Pra alma
Pra espera
Do inesperado
Um brinde
Ao
Nada
Um brinde
Ao passado
Um trago
Ao presente
O copo vazio...




terça-feira, 27 de outubro de 2015

Leia...

E de repente
Tudo vira poesia
De repente
Todos são poetas
Tudo é belo
Tudo é profundo
"Tudo é divino maravilhoso"
Tudo
É
Triste
A poesia não precisa ser profunda
“a poesia sopra onde quer”
Ela apenas tem que ser dita
"Pra ficar bem dita!"
E sem rodeio
Apenas um conselho
Leia!
O que for....
Mas leia...

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Reza


Clara de Deus

"Deus me proteja da sua inveja
Deus me defenda da sua macumba
Deus me salve da sua praga
Deus me ajude da sua raiva
Deus me iMuNiZe do seu veneno
Deus me poupe do seu fim..."

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Da janela lateral...

Graças a Deus temos o privilégio de morar em um dos lugares mais bonitos perto do centro de Duque de Caxias.
Seja pelo paisagismo das arvores em frente a casa
Seja pela dança matinal das borboletas
Seja pelo canto de sabiás,  bem-te-vis e cigarras (que por ventura andam um pouco sumidas)
Por ter no quintal do portão de fora uma praça que já já será adequada para as crianças
Pelos amigos "semeados" e "plantados" no quintal do portão de dentro...
E agora, por finalmente poder registrar uma família de miquinhos, atravessando os fios em busca de acerolas...
Ficamos fitando por alguns minutos, parados, boquiabertos, entre a Rua Paraíba e Minas Gerias...
A magia das coisas pequenas da vida...



sábado, 25 de abril de 2015

Ser abissal

 Conversando com uma mais nova amiga (a vida nos surpreende em cada esquina e adoro encontrar, reencontrar, seres do bem), fiz uma introspecção (ou quase) do meu humilde ser...
  1. Amo o outono
  2. Amo dias de chuva
  3. Gosto de dormir pelada
  4. Só sei cozinhar com colher de pau
  5. Adoro andar descalça
  6. Só sei dirigir descalça
  7. Adoro pisar na terra
  8. tenho pânico à lacraias
  9. Amo a natureza
  10. Converso e canto pras minhas plantas
  11. Amo meus cordões e brincos de semente
  12. Adoro assessórios em couro
  13. distâncias não me assustam
  14. Sou apaixonada pelos meus cabelos  
  15. tenho o lado direito do rosto diferente do esquerdo
  16. Amo banana na comida, até na sopa de ervilha
  17. sou chorona
  18. Tenho medo de perder minha mae
  19. gosto quando olham nos meus olhos.
  20. Gosto de verde
  21. sou mais sensível do que aparento.
  22. Sou fã do Chico e Oswaldo
  23. Amo passas, jamelão, jabuticaba, jambo, amora e carambola
  24. Sou adepta aos signos, astrologia
  25. Me simpatizo com o Budismo
  26. Me simpatizo com a Umbanda
  27. Espiritismo
  28. Sou devota a São Francisco e Santa Clara
  29. Sou filha de Iemanjá
  30. Na verdade, sou uma eterna aprendiz no que se diz respeito de religiões, gosto de saber sua cultura e acredito em todas que nos tragam a paz interna e o bem ao seu semelhante
  31. As menores coisas me encantam
  32. Gosto de boteco, gente povão, tripa frita, café de boteco
  33. sinto saudades de poucas pessoas, na maioria das vezes elas não se dão conta disso.
  34. Queria ter tomado um copo de cerveja com meu pai
  35. Sinto muita falta do meu Pai
  36. Prefiro os amantes a moda antiga
  37. As vezes só preciso de um abraço
  38. Odeio mingau
  39. Não gosto de panquecas
  40. Amo animais
  41. Gosto de praia a noite
  42. Amo escrever, amo poesias
  43. Amo um bom vinho, um incenso, Janis girando na vitrola...
  44. Montanhas
  45. Estrada
  46. Pinturas
  47. Um bom papo, um guardanapo...
  48. Palco
  49. Teatro
  50. Encontrei meu par ideal
  51. E amo e amo ser amada pelas minhas mais belas poesias: João e Maria
Madú Prates e Clara de Deus
 


 

terça-feira, 21 de abril de 2015

07 de abril de 2015

Como perder um ente querido
A dor é inexplicável. . .
Assim dói a perda de um bichinho de estimação quando o mesmo se torna um membro da família...
Quando o conheci
Foi amor a primeira vista...
Depois nos "estranhamos", afinal eu traria um bebê pro seu espaço...
Ele respeitou o espaço dela e de presente, veio conosco para um novo lar...
Finalmente ele saberia o que era ser gato, pulou telhados, caçou borboletas e rolinhas, ganhou irmãos cachorros, o que ele não esperava era que estava por vir mais um bebê...
Mas o que ele não esperava é que neste um ano, João se tornaria seu mais novo grande amigo...
Aprendeu a falar seu nome, colocava ração (comia tbm rs), deitavam no tapete de sala, fazia Gibi de cavalinho rsrs...

....
Estes últimos dias ele estava tão caseiro..
O clima pesou e você recebeu toda esta energia, talvez um dia terei que te agradecer por isso...
É meu amigo de quatro patas, desta vez não ouvi seu chamado...
Não consegui chegar a tempo...
O inevitável aconteceu...
Pensávamos que iamos ver você bem velhinho ao nosso lado, afinal você estava na família há mais de doze anos...
Mais que um bichinho de estimação, mais que um gato, há quem diga que você não era gato, pela paz e harmonia que transmitia...
Há quem não goste de animais
Há quem ache graça ou mesmo bobeira na partida de animais...
Hoje a casa, o quintal, está vazio...
Hoje a dor é inevitável
Hoje João chamou por você
Espero que sua passagem não tenha sido tão sofrida...
Vida que segue..
Até o próximo plano...

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Segunda de manhã


 
 

"Por ser exato
O amor não cabe em si
Por ser encantado
O amor revela-se
Por ser amor
Invade
E fim..."